Processo de formação do Capitalismo

Denis Antônio Caetano

 Ao observarmos o processo histórico que resultou na formação do modo de produção capitalista, faz-se necessário que tenhamos conhecimentos básicos sobre o continente europeu nos fins do período medieval. Nesse período, a Europa passou por grandes transformações que modificaram profundamente suas estruturas políticas, social e econômica. Nesse período da história que percebemos a decadência do sistema feudal, dando lugar às primeiras estruturas tipicamente capitalista.

 Esse processo de mudança do feudalismo para o capitalismo no continente europeu foi longo e complexo, variando de acordo com as realidades específicos de cada país. Porém, generalizando, podemos identificar alguns pontos comuns na formação histórica do capitalismo.

 O primeiro grande incentivo que movimentou este processo de mudanças, foi particularmente impulsionado pela expansão marítima (Grandes Navegações) que como sabemos, resultou na colonização de novas terras, na grande expansão de atividades relacionadas ao comércio. Com isso, a base da vida econômica europeia passara a ser considerada por essas atividades. Os comerciantes europeus acumularam grande margem de lucros com o movimento mercantil em todas as partes do mundo.

 Podemos destacar também nesse âmbito histórico, o Renascimento como fator atuante na formação do capitalismo. Sabemos que os renascentistas rejeitavam a cultura medieval, presa aos dogmas católicos e defendiam a exploração da diversidade de ideias e o espírito crítico. Com os ideais de individualismo e racionalismo, o Renascimento contribuiu para esse processo de transição da sociedade feudal para a sociedade burguesa capitalista, pois sabemos que através do comércio os burgueses financiavam as obras renascentistas, e estas incentivavam ao capitalismo (jogo de interesses de ambas as partes).

 Para efeito, torna-se importante ressaltarmos que o grande objetivo do capitalismo, como sabemos, é o lucro, o que era condenado pela igreja, e nesse período de transição, seria previsível que ocorressem mudanças no meio ideológico e espiritual. É lícito colocarmos então a Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero (1517), pois com a difusão dessa reforma surge uma visão mais tolerante a respeito do lucro, onde reformadores como Martinho Lutero e João Calvino defenderam abertamente esse direito. É, portanto, natural que os capitalistas apoiassem essa reforma e vice-versa (novamente o jogo de interesses).

 Seguindo nesse processo histórico, podemos dar ênfase à Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra a partir de 1750, que marcou o surgimento desse sistema dividindo a sociedade em duas classes sociais opostas e complementares: a burguesia, proprietária dos meios de produção, e o proletariado, trabalhador que vende sua força de trabalho. Os principais historiadores apontam para a Revolução Industrial, como sendo este o principal fator para o desenvolvimento do capitalismo.

 Outro movimento decisivo para a concretização do sistema capitalista foi a Revolução Francesa em 1789. A burguesia francesa, inspirada nos ideais liberais, liderou a revolução, cujo lema – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – expressava os mais profundos interesses: fim do absolutismo, tolerância religiosa, mercados livres, defesa da propriedade e ascensão dos burgueses ao poder público. Embora o lema da revolução fosse pregado de forma universal, sua aplicação atendeu mais especificamente a burguesia, possuidora do meio de controle e domínio social e político que então se inaugurava – o capital.

 Do exposto, podemos sintetizar que, com a consolidação do capitalismo a vida urbana tornou-se mais intensa, a mentalidade, os costumes e o cotidiano das pessoas também se transformaram. O Estado se tornou cada vez mais rico e poderoso e a burguesia construiu sua riqueza e uma nova sociedade onde a preocupação geral é o lucro. Todos querem lucrar a qualquer custo, querem saber de que forma vão lucrar com suas ações. Com isso, percebemos que a característica principal desse sistema é transformar todas as relações em mercadorias, visando sempre o lucro com essas relações. Até as relações sociais passam a serem relações comerciais. O capitalismo transformou completamente a vida do homem, pois este, sem perceber, transformou tudo na relação de compra e venda.

Como foi ressaltado, o surgimento do capitalismo resultou uma série de mudanças no meio social, mudanças estas, que em tese deveria favorecer de forma integral toda sociedade, mas que evidentemente não consolidou essa tese.

Referências:

 ANASTÁSIA, Carla. Encontros com a História/Carla Anastásia, Vanise Ribeiro – Curitiba: Positivo, 2006.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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